Gullar, o gato  – 25 –  Ele deveria ser uma pessoa.

Gullar, o Gato
por João Lardon

Gullar, o gato – 25 – Ele deveria ser uma pessoa.

Ele deveria ser uma pessoa.

Mas era só humano.

Quando minerais enérgicos se juntam para formar um ser,

estabelecem que não há regras a seguir,

mas afinidade e repulsa.

Não há caminho predeterminado.

Sim falhas e insucessos bem-sucedidos.

A lei informa que a vida é a busca.

O resultado.

Não importa que conquista seja.

Já é vitória.

O sucesso temporário.

Como um gato sabereta que sou,

intuo que só não nasci deus ou rei,

porque não havia reinado para gatos naquele então.

No planeta em formação

e deformação de suas horas,

depois de construído o mundo e o muro do indivíduo,

começou a olimpíada pela sobrevivência.

Quem ganhou mais testa,

menos pelo,

e texto,

subdividiu em reinos.

Criou pessoas em conceito abstrato.

Escala para se livrar da irmandade gatinhante.

Nesse universo artificial habita a vontade.

De não ser

quem se é.

Se controla a bestialidade.

Se evita as pegadas.

Se derruba a escada para os atrasados,

Fica-se preso em sua própria jaula.

A salvo.

Morto o ser ou endeusado,  resta a saudade.

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