Gullar, o gato – 27 – Lavoro, Amore o Vacanze?

Gullar, o Gato
por João Lardon

Gullar, o gato – 27 – Lavoro, Amore o Vacanze?

Quando meus antepassados viveram em Veneza eu não tinha medo de anjos e nem de leões alados.

Os becos por onde o sol entrava somente ao meio-dia à noite sombras assustavam os concretos.

Muitos panos e almofadas brilhantes repousavam meus ombros diante de uma vista embaçada por espessos vidros.

Fenestras. Venezianas.

Via-se água por todo lado e barulhentos comerciantes tentando roubar-me para ser vendido num outro canto.

Minha estirpe é bela.

Já haviam damas e mancebos apaixonados e eu como bom gato abraçava o colo de quem mais me dava afago.

Confidente fui de palácio em palácio, naqueles tempos.

Às vezes escapava e via a silhueta laranja da cidade à tarde, ao pôr do sol.

Encantador. Deslumbrante.

Em movimento de sobe e desce, esculturas de proa competiam entre si e turistas, em serem mais admiradas, impulsionadas pela maré.

Morte eu nunca vi, como me disseram muitos ratos antes de serem sacrificados.

Ratos são ratos.

Quem acredita em que não se vê?

comentários



2 comentários em “Gullar, o gato – 27 – Lavoro, Amore o Vacanze?

  • 23 de setembro de 2016 a 10:46
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  • 23 de setembro de 2016 a 10:46
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