Gullar, o gato – 29 – Camarão é a vovózinha –

Gullar, o Gato
por João Lardon

Gullar, o gato – 29 – Camarão é a vovózinha –

Foi um final de tarde esplendoroso.

Raios de luz eram cuspidos para todos os lados de uma bola de fogo que se afogava no mar.

Sob minha janela passou um vendedor de cangas e chapéus com seu molengo guarda-chuva ritmado.

Já o conhecia de vista porque ali na praia era o seu trabalho de todo dia.

Ele me gritou:

Que vida boa, hein gato?

Fica aí nesse parapeito só olhando esse mundão de abestados!

Se cair aqui embaixo, na real, te faço de sapato – e me atirou um caroço de castanha roxa, já comida a carne.

Eu pensei – e já estava farto – desse sujeito quero distância, para salvar minha pança de indigestão de coitado.

Já pensou virar couro de tamborim?

Urrava o debochado na minha cara.

Não pensei e não concordo com desejos de aloprados.

Vá procurar a sua turma – pensei.

Quando gritaram lá do outro lado da avenida:

Camarão!

E o vendedor de cangas responde ofendido:

É a Mãe!

Fui pago.

Sem nem ao menos ter levantado a ponta do meu rabo.

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