O “CISCO” NOS OLHOS QUE INSISTE EM NÃO SAIR….MORREU MEU PET!

Dra. Claudinha

O “CISCO” NOS OLHOS QUE INSISTE EM NÃO SAIR….MORREU MEU PET!

Quantas e quantas vezes chorei junto com tutores a morte de um bichinho de estimação! Por mais que tenha 30 anos de graduada em Medicina Veterinária esta emoção, para mim, não perde a intensidade. Ao contrário, tenho ficado mais empática com os tutores e mais compassiva com as dores dos pets.

No final de semana passado retornou ao céu mais um anjinho de minha estima. Naná Retriever, filha de quatro patas do amigo e roteirista do PET QUE PARIU, nosso Ênio, que usando de seu talento de escritor temperado com uma enorme dor de saudade escreveu lindamente sobre ela aqui no blog.

Eu, solidária, me preocupei com ele e a família e percebi que o sofrimento estava sendo devastador. Resolvi então escrever sobre o luto animal, para que vejam que esta dor é legítima .

Pra começar, só quem já sofreu uma perda destas é que avalia. E o pior: os membros da família do pet falecido muitas vezes ficam até constrangidos, envergonhados da dor não passar, da tristeza permanecer.

É só um cachorro! Não. Não é não! É um ser amoroso que convive com sua família há tempos. Uma pessoinha que cresceu dentro de sua casa só dando amor e alegrias, mesmo nas horas das artes e destruições, em que você queria matar e caia na risada. Atualmente o lugar do pet na família não é mais no quintal. Eles vivem junto de nós. Grudadinhos. Dormem junto no quarto, viajam com a gente, vão a bares, sempre “sorridentes”. É só amor! E vai crescendo, tem filhotes, vomita, você cuida, melhora, se diverte e te diverte, fica a seu lado quando você está triste, te faz desistir de viajar no reveillon só pra não deixá-lo com medo dos fogos, vai vivendo a vida da família… e como de repente, se torna velho? É tudo tão rápido! Meu Deus? Por que eles tem vida tão curta? Sem que você perceba, seu pet é velhinho. Tem dores nas articulações, já não aguenta tantas caminhadas e você cuida, ajuda, ama e é amado. E aí vem a fatalidade. E ele se vai.

Impossível não viver o luto! Um luto completo com todas as fases psíquicas de uma perda humana. Psicólogos afirmam que a intensidade da dor da perda é a mesma do luto por um ser humano.

A ciência comprova que de início pode haver um choque e a negação, a pessoa não acredita que o animal vai morrer/morreu. Depois a revolta, procurando um culpado ou se culpando. Alguns passam a barganha, prometendo coisas aos santos, ao veterinário caso consigam recuperar o animal. Enquanto não houver adequação ao novo estilo de vida sem a presença do animal, membros da família enlutada podem entrar em depressão, até que haja aceitação e a perda seja vista como saudade natural. Claro que nem todas as pessoas passam por estas fases, mas o importante é perceber que esta dor é legítima e real.

Aos poucos a dor vai sendo substituída pela boa lembrança e aí quem sabe a família já pode até pensar em reabrir seus corações a um outro pet? Não substituindo mas trazendo novas emoções.

Nossa homenagem a Naná Retriever, prima donna do PET QUE PARIU.

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