A vida de Bob – O cão que amava as cadelas

A Vida de Bob
por Enilton Rodrigues

A vida de Bob – O cão que amava as cadelas

Amo de paixão as cadelas

Todas elas

 

As pretinhas, as malhadas

As brancas, as amarelas

As grandes e as pequenas

As comportadas e as abusadas

As tímidas e as desinibidas

As fofinhas e as magrelas

Amo de paixão todas elas

 

Adoro vê-las passando

Todas rebolando ao Sol

Tê-las nem que seja só por um breve momento

Enfeitando o meu campo visual:

As raçudas, as classudas, as mestiças

As convencidas, as simples, as inteligentes, as queridas

As peludas, as peludinhas, as tosadinhas

Todas totosinhas

Amo de paixão todas elas

 

Se comem ração balanceada

Angu picanha carne assada

Pra mim tanto faz

Se comem filé ou roem osso

Se bebem água mineral água de poço

Se dormem na cama

Se passam a noite assistindo “A Lua na Sarjeta”

Tanto faz

 

Se eu farejar no ar o perfume do cio

Aí me atirem a primeira pedra

Me atirem tomates, botas, sapatos

Me expulsem a tiros de escopeta

Vou uivar até rachar

Vou uivar até dizer chega

 

Sou observador da natureza fêmea

Aprecio forma e conteúdo

Tamanhos e cores

Postura e comportamento:

Gosto das lobas

Das raposas

Das pastoras que por convivência se tornaram ovelhas

Procuro almas gêmeas

No frescor ansioso das novinhas

Na experiência tranquila das mais velhas

 

Me perdoem as caninas

Almas femininas

Se enquanto a vida passa

Sonho acordado com o dia de vacinação em massa

Me permitam aguardar minha vez no paraíso

Feliz com meu harém imaginário

 

Gosto de enganar o tempo

Amando as fêmeas como passatempo

Mesmo que seja à distância

Me permitam

Esse é o sonho sonhado por todo otário

 

Cadelas vêm, cadelas vão

Por todas elas tenho paixão

Cadelas vão, cadelas vêm

Sem elas não sou ninguém

 

Quando dizem que todo pateta é um poeta

Seria isso mesmo… ou seria o contrário?

Ah, as cadelas…

Amo de paixão todas elas!

Meu destino é ser um cão babão

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